Terça-Feira
22 de Agosto de 2000

Mergulhando em um grande alambique

Entrar no Museu da Cachaça é o mesmo que mergulhar em um grande alambique. Afinal, a coleção equivale a mais de três mil litros da bebida. "Um papudinho, pessoa que costuma amanhecer bebendo, levaria mais de 4 anos para acabar com esse estoque", falou José Moisés de Moura. Segundo ele, o papudinho costuma ingerir dois litros de aguardente por dia.

Decidido a enfrentar um desafio como esse, o melhor para o bom caneiro seria traçar um plano para se embriagar. Alternativas não faltam. Se quisesse, poderia seguir a catalogação do próprio museu. "Agrupamos as garrafas e os litros por engarrafadores, municípios, estados, países, teor alcoólico e pelo tipo de embalagem", esclareceu Moura.

Se o cachaceiro achar complicado, o melhor caminho é entrar no esquema montado para os visitantes, onde as unidades aparecem juntas por temas. São 16 grupos, que vão dos nomes próprios às gozações. Nesse emaranhado, pode-se beber desde Ninô - nome de uma personagem encarnada por Cláudia Raia na novela Roque Santeiro - e Xixida Xuxa até passar as mãos Nas Coxinhas, Levantar Passarinho ou mesmo partir para o campo emocional. Aqui caem como uma luva as Amansa Corno, Amansa Sogra e Curabicha.

Os amantes da cachaça podem seguir os rumos da natureza, enveredando por nomes de peixes, crustáceos e aves. Caso se canse do alto teor alcoólico, eles podem aliviar a ressaca nos ritmos musicais. "O samba é uma das pedidas", comentou Moura. E na hora da dor de cabeça, podem recorrer ao ditado popular de que "uma ressaca se cura com outra", apelando-se aos poderes das canas com nomes originários da Umbanda. Ou quem sabe, dando um gole para o santo ou bebendo uma birita com nome de santo.

Toda essa história começou no século XVI, quando os escravos eram obrigados a amaciar a carne do cachaço - nome dado ao porco - com a bebida alcoólica feita de cana-de-açúcar.

 

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